Oito investigados prestam depoimentos à PF no inquérito do Banco Master nesta semana; veja quem são
Por: José Marques
Fonte: Folha de S. Paulo
Oito investigados nas apurações que envolvem suspeitas de fraude no Banco
Master serão ouvidos pela Polícia Federal nesta segunda-feira (26) e na terça
(27), em mais uma etapa do inquérito que tramita sob responsabilidade do
ministro Dias Toffoli, no STF (Supremo Tribunal Federal).
A expectativa era a de que mais pessoas fossem ouvidas pela PF, que havia
intimado, inclusive, o dono do banco, Daniel Vorcaro, para novo depoimento.
Porém, Toffoli determinou a redução do prazo para oitivas, de seis dias para
dois dias, e a PF apresentou um novo cronograma sem o ex-banqueiro.
Os depoimentos acontecerão por videoconferência ou no Supremo, no prédio
onde são realizadas as sessões das duas Turmas do tribunal. Apenas três dos
oito investigados (Roberto Bonfim Mangueira, Luiz Antonio Bull e Augusto
Ferreira Lima) irão presencialmente.
Em 30 de dezembro, Vorcaro foi ouvido no mesmo no STF, além do expresidente
do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa e do diretor de
Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino.
Em seguida, Vorcaro e Costa, do BRB, participaram de uma acareação, que
tratou de divergências sobre a venda de R$ 12,2 bilhões em créditos
inexistentes, segundo os investigadores, do Master para o BRB.
A Folha tenta contato com as defesas. Em declarações públicas, defensores de
Vorcaro e de outros investigados têm negado que cometeram irregularidades.
As pessoas que serão ouvidas nesta semana têm relação com a primeira fase da
operação Compliance Zero, que levou Vorcaro à prisão em 17 de novembro
do ano passado. Ele foi solto no dia 28, e passou a ser monitorado por
tornozeleira eletrônica. A investigação inicial trata de suspeitas relacionadas à
tentativa de venda do Master para o BRB.
Saiba quem são os investigados que concederão depoimento à PF nesta semana.
Augusto Ferreira Lima
Ex-sócio do Master. Responsável direto pelas decisões da instituição junto com
Daniel Vorcaro, e também responsável por relações públicas do banco. Ele é
apontado como um dos principais interlocutores junto ao BRB para viabilizar
operações bilionárias de cessões de crédito. Também é apontado como
controlador de associações usadas pelo Master para justificar ao BC, de forma
falsa, a origem de créditos cedidos ao BRB. Sua defesa diz que as operações são
posteriores à sua saída do Master e não têm relação com sua atuação na
instituição.
Henrique Souza e Silva Peretto
Proprietário formal da Tirreno. Foi responsável por aumentar o capital social
da empresa, que saiu de R$ 100 para R$ 30 milhões. Para a PF, esse aumento é
incompatível com a operação regular da Tirreno e foi feito para dar uma falsa
aparência de capacidade econômica e ocultar sua finalidade como empresa de
fachada. Também é investigado por suspeita de crimes contra o sistema
financeiro nacional e participação em organização criminosa.
André Felipe de Oliveira Seixas Maia
Ex-funcionário do Master, tornou-se diretor da Tirreno, empresa que as
investigações apontam ser de fachada. O Master adquiriu créditos de dívidas da
Tirreno "sem realizar qualquer pagamento" e os revendeu ao BRB. Ele é
investigado por suspeita de crimes contra o sistema financeiro nacional e
participação em organização criminosa.
Luiz Antonio Bull
Diretor do Banco Master. As investigações apontam que ele assinou diversos
instrumentos entre o banco e a Tirreno, assim como ofícios encaminhados aos
órgãos de controle sobre as operações. É suspeito de participar de fraudes na
emissão de CCBs (cédulas de crédito bancário) consideradas inexistentes ou
podres. É investigado sob suspeita de crimes contra o sistema financeiro
nacional e participação em organização criminosa.
Alberto Felix de Oliveira Neto
Atuava como diretor do Master. Ele foi signatário do contrato de parceria entre
o banco e a Tirreno, além de outros contratos sob investigação. Ele é
investigado sob suspeita de diversos crimes contra o sistema financeiro
nacional.
Angelo Antonio Ribeiro da Silva
Ex-diretor do Banco Master. Também é apontado como signatário de diversos
instrumentos entre o banco e a Tirreno e de participação em fraude na emissão
de CCBs que foram posteriormente revendidas ao BRB para gerar liquidez
artificial ao Master.
Dario Oswaldo Garcia Júnior
Ex-diretor financeiro do BRB, investigado junto com Paulo Henrique Costa
por suspeita de gestão fraudulenta e associação criminosa, pela tentativa de
salvamento do Banco Master. Segundo as investigações, sua atuação teria
viabilizado aportes do banco público para socorrer o Master em sua crise de
liquidez. Ele era responsável por garantir que as informações enviadas ao Banco
Central estivessem em conformidade com as normas legais.
Robério Cesar Bonfim Mangueira
Atuava como superintendente de Operações Financeiras do BRB. Ele
apresentou um ofício ao Banco Central para justificar transferências de recursos
do BRB ao Master.